Sexta, 26 de Maio de 2017
 
    
   
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Gonçalo Pimpão: O PCEDA tem ser aplicado sem falhas
2017-04-28

 Dr. Gonçalo, sabemos que desde a fundação da Comissão de Acompanhamento do PCEDA, você está presente. Pode começar por dizer-nos qual o seu papel no PCEDA atualmente?
 

Olá, como sabe fui convidado pela atual direção da FPAS em 2012 para aceitar o desafio de pertencer à Direcção da mesma, através da associação a que está associada à minha empresa ALIS, atualmente ALISP. Dentro das valências que me cabem dentro da direção, pela minha formação profissional e trabalho técnico, estão incluídos todos os temas relacionados com sanidade, bem-estar animal e Genética. Nesse âmbito foi para mim e para toda a direção da FPAS essencial iniciar o processo do PCEDA, tendo sido colocado desde o inicio como Estratégico para a Suinicultura Nacional junto da DGAV desde o primeiro momento. O papel atual que tenho dentro da comissão de Acompanhamento do PCEDA é representar os interesses da produção, delegados pela direção da FPAS e trazer para a direção da FPAS informação privilegiada sobre o andamento do PCEDA.

Qual é para si a importância do PCEDA a nível Nacional?

O PCEDA é essencial à manutenção da competitividade da Suinicultura Nacional, sem ele será impossível a Portugal fazer comércio intracomunitário de suínos vivos, quer seja para recria, reprodução ou abate, ou seja, será impossível enviar animais para fora de Portugal. Este bloqueio levará à marginalização completa da Suinicultura Nacional, que ficará exclusivamente nas mãos dos operadores Comerciais e Industriais de carne de Portugal.

O PCEDA é uma doença de cariz económico, que afeta a classificação sanitária de cada País, pelo que para além de afetar o nosso comércio de animais vivos a nível intracomunitário, também afeta o licenciamento de Carne de Portugal no comércio Internacional, com consequências também para a nossa industria.

O seja, Portugal se quer manter-se com suinicultura e industria de suínos tem de erradicar Aujeszky de forma a manter as sua competitividade futura como setor produtor e exportador.

Porque aceitou este desafio na sua carreira profissional?

A erradicação do PCEDA foi o inicio da minha carreira profissional, na altura o Plano de Controlo da Doença de Aujeszky, pelo que é um tema que conheço a fundo desde o inicio da minha carreira profissional. Depois eu trabalho diretamente com importação e exportação de animais vivos, assim como sémen, conheço todas as restrições internacionais e Nacionais a este movimento, pelo que é um dossier que faz parte do meu dia a dia desde 2002. Como tal este é para mim um desafio profissional e pessoal, pois acho que também é naturalmente uma contribuição que dou ao meu país e à Suinicultura Nacional.

Dada a importância que deu no ponto anterior, como vê o PCEDA atualmente? E sua aplicação na Suinicultura Nacional?

O PCEDA está a andar muito bem, os resultados de evolução dos últimos meses são muito positivos, pelo que todos devemos continuar no ritmo atual, pois que se seguir-mos ao mesmo ritmo poderemos ter boas noticias no final de 2018, ou inicio de 2019. No entanto, o plano está no seu momento crucial, pois estamos a meio do caminho e é necessária uma aplicação exemplar do plano em 2017 e 2018, de forma a erradicar o Aujeszky de Portugal.

Devo dizer que já vemos essa dedicação no campo, onde há programas pró-ativos por parte dos suinicultores e Veterinários, para vacinações sincronizadas em regiões de elevada prevalência, sinal da dedicação que muita gente está a dar a este tema.

No entanto, ainda existe um numero significativo de suiniculturas fora do PCEDA, que manifesta ter porcos, mas não aplica o PCEDA. Neste ponto a DGAV tem de forçar a aplicação do plano nestas explorações, pois as explorações fora do PCEDA podem arruinar todo o bom trabalho realizado pelos Serviços e Produção Nacional

A atual estrutura do PCEDA permitirá a Portugal erradicar o Aujeszky do País?

Não sei? O que sei é que existe boa vontade de todas as estruturas envolvidas, no entanto, falta na minha opinião o fornecimento de meios à DGAV para realizar mais acções, como visitas as explorações fora do sistema, aplicação do PCEDA em quem está fora do sistema, controlos no matadouro, etc. Na minha opinião 2 anos de aplicação e controlo estrito da legislação existente colocariam Portugal rapidamente perto da erradicação de Aujeszky. Sinto que este projeto é estratégico para a Produção Nacional, mas para os Serviços Oficiais não é tão clara a posição, uma vez que tem sido sempre a Produção a empurrar o PCEDA. Sozinhos não vamos a lugar nenhum, pelo que considero essencial alocar durante os próximos dois anos mais meios da DGAV a este plano.

Qual o seu maior receio nos próximos tempos?

O PCEDA está como está porque a produção o colocou na 1ª ordem do dia junto dos Serviços Oficiais ao mais alto nível. Este esforço custou à produção Nacional o custo total do PCEDA, suportando todas as consequências diretas e indiretas do mesmo, na aplicado com uma elevada disciplina e elevado custo.

O receio que tenho é que o PCEDA caia no laxismo e esquecimento, pois a produção sem os Serviços Oficiais nada consegue fazer e nem sempre encontramos o entendimento necessário para este projeto como Estratégico.

Porque menciona tantas vezes a importância dos serviços oficiais, tem algum exemplo de outros momentos em que o PCEDA não foi aplicado corretamente?

Posso desde já falar da história do controlo e erradicação de Aujeszky em Portugal, esta doença teve incentivos europeus de financiamento de 2000 a 2010, com vários graus de financiamento. Portugal nunca se colocou proactivamente, como país, na classificação e erradicação da Doença de Aujeszky, foi preciso existir uma situação urgente de bloqueio de fronteiras para colocar este tema em marcha. Em 2002 foi colocada legislação em vigor para Controlo da Doença que era de longe insuficiente, num plano tecnicamente muito débil e que aplicado a 100% seria incapaz de levar à erradicação. Levámos 10 anos a corrigir essa legislação e a colocar os meios no campo para o controlo deste problema, com perdas de financiamento Europeu, onde agora tudo tem de ser completamente suportado pela Produção Nacional.

A Hungria em 2002 estava exatamente na mesma posição que nós, em 2008 já tinha o país livre e neste momento está no patamar mais alto do Aujeszky a nível Europeu. Isto porque aproveitou a oportunidade e o financiamento europeu para se colocar num patamar sanitário superior. Isto não é seguramente exigência exclusiva da produção da Hungria, tem a ver com dedicação, brio e visão para o futuro do governo da Hungria. Mas há mais casos como Republica Checa, Áustria, Eslováquia e outros tantos países. Temos de ter uma visão estratégica a nível sanitário a longo prazo, não andar na cauda Europa nos temas sanitários, isso cabe aos serviços Oficiais.

O PCEDA foi reforçado no ano de 2016 com o Despacho 5376, que aplica normas especificas às explorações positivas para além de restrições e controlos adicionais. Qual a sua opinião quanto à publicação do mesmo?

O Despacho é uma ferramenta crucial no PCEDA, pois permite colocar medidas especificas às explorações Positivas (A2) e adiciona ao plano os controlos no matadouro, pontos críticos essenciais para a execução do plano.

As medidas que constam do Despacho 5376/2016 são duras e polémicas, qual a sua opinião?

Não temos tempo para falhar, o plano de erradicação da Doença de Aujeszky tem de ser aplicado e controlado sem falhas nem lacunas, o PCEDA sem a aplicação estrita da legislação em vigor, não dá credibilidade à Comissão Europeia para a classificação do País. Recordo que Espanha sujeitou 5 vezes o plano à Comissão e só à sexta tiveram a aprovação, Portugal não tem tempo para isso.

Os controlos em Matadouro permitem dar ao PCEDA a credibilidade que necessita, por isso são essenciais à evolução do PCEDA.

Tem algum comentário Final?

O PCEDA é um uma necessidade da produção Nacional, que está atrasado 10 anos na sua execução, temos de seguir rapidamente para a Erradicação da Doença de Aujeszky e espero que lá cheguemos em 2019.









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