Sexta, 26 de Maio de 2017
 
    
   
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Porco.PT é uma realidade
2017-01-02

Os suinicultores voltaram a reunir em Leiria com o propósito de discutir o actual momento do sector, concretamente a implementação do programa “Porco.PT”.
Depois da aprovação do Cadernos de Especificações do “Porco.PT” pelo Director-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, no dia 23 de Dezembro, os pressupostos para o arranque do programa na produção estavam assegurados.
Assim, cerca de 70 suinicultores estiveram em Leiria para manifestarem inequivocamente a sua intenção em relação ao projecto.

João Correia: “Não basta ser bom, é preciso querer ser bom”

A reunião foi presidida pelo Presidente da FPAS, Vítor Menino, pelo Presidente da APAC, David Neves e pela comissão coordenadora do “Porco.PT” e contou com várias intervenções iniciais.
A primeira das quais foi do porta-voz do extinto Gabinete de Crise, João Correia, que recordou as razões que levaram à criação deste selo de qualidade.
Durante o último ano o sector socorreu-se da sua união e coesão interna para superar um mau momento. João Correia apelou a que o sector permanecesse unido também na bonança.

David Neves: “O Futuro é não voltar atrás”

O Presidente da APAC, vice-Presidente da FPAS e membro da comissão coordenadora do “Porco.PT” exibiu um vídeo com uma cronologia dos acontecimentos do ano de 2016, um ano em que a suinicultura portuguesa veio para a rua em protesto, exigindo que a lei da rotulagem fosse aplicada no nosso país e apelando aos consumidores portugueses para a consumo de carne de suíno portuguesa.
Depois da conquista da implementação da rotulagem obrigatória e com base nos pressupostos enunciados, David Neves apresentou o objectivo fundamental da criação de um rótulo facultativo para a carne de porco: estimular o consumo de carne de porco nacional no território nacional.
O autoabastecimento da indústria nacional da carne de suíno é de 68% e a produção suinícola ronda os 55% das necessidades dos consumidores portugueses.
Por outro lado, o consumo de carne de porco, depois de um decréscimo nos anos de “ajustamento”, está a voltar a subir timidamente.
Mas, na verdade, Portugal está inserido numa zona geográfica - a Península Ibérica - que é excedentária em 38%. Ou seja, a Península Ibérica produziu em 2015, 4.273 toneladas de carne de porco indiferenciada para satisfazer as 3.180 toneladas consumidas indiferenciadamente no mesmo espaço.
Isto é o mesmo que dizer que a circunstância de Portugal fazer fronteira com o terceiro maior produtor suinícola mundial é facilmente identificada como uma ameaça à produção nacional.
É, por isso, necessário identificar as oportunidades: este projeto identifica e tira partido do potencial existente no facto de em Portugal haver um grande consumo de carne de porco e de os portugueses desejarem consumir carne de porco portuguesa. Mas para isso necessitam de a identificar facilmente e de perceberem que é um produto diferenciado.
É nesse sentido que a FPAS apresenta o projecto de implementação de um selo de qualidade, devidamente certificado, e que garantirá ao consumidor que a carne que apresenta esse rótulo é de qualidade superior.
Em todo este processo o consumidor é o stakeholder central. É ele que ditará o sucesso ou fracasso deste projecto e os proveitos que daqui poderão advir.
Sendo um projecto primordialmente direcionado ao mercado nacional, para a FPAS a intenção é clara e assumida há vários anos: atingir a autossuficiência e garantir a Portugal e aos portugueses a soberania alimentar em carne de suíno.

Catarina Labau: “É preciso que o consumidor nos oiça”

A assessora de imprensa da FPAS, Catarina Labau, apresentou o plano de comunicação e marketing do selo “Porco.PT”, o eixo estratégico mais fundamental neste processo.
Numa primeira fase, é necessário serem estabelecidas parcerias de valor no setor e na fileira. Este é um trabalho que a FPAS já está a desenvolver.
De fora não poderá ficar, evidentemente, a grande distribuição. O sucesso ou insucesso de qualquer projecto de branding de uma marca do sector agroalimentar está dependente de algo tão simples como a posição na prateleira onde está exposto no supermercado.
Depois, este projeto está a ser desenvolvido tendo como fim último dar ao consumidor aquilo que ele pretende. Donde, a comunicação com o consumidor está também a merecer o maior cuidado. Está a ser preparada uma estratégia que inclui plano de marketing e de comunicação para o efeito. Está a ser feito este trabalho de forma séria, profissional e sobretudo de forma sustentada e sustentável a longo prazo.
A forma como os suinicultores vão comunicar com a pessoa para quem estão a criar os seus animais é fundamental.
Fazer diferente é fácil, diferenciar é outra coisa, é conseguir que o seu público alvo percepcione a diferença. A grande novidade deste selo é que vem transformar um produto numa marca. Mas para isso não basta pôr um rótulo!
É necessário fazer um trabalho de branding que leve o consumidor a percepcionar as diferenças valorizáveis na carne de porco portuguesa em relação às demais. Fundamentalmente, é necessário praticar acções de marketing pedagógico que desmonte alguns dos preconceitos e dogmas existentes em relação à carne de porco.

Dina Almeida: “A Euroeste está a 100% neste projecto”

A palavra passou para a plateia e foi altura de firmar compromissos. Os presentes tinham grande curiosidade em perceber a posição dos maiores produtores e, destes, o primeiro a pronunciar-se foi a empresa do grupo Agrupalto que afirmou categoricamente que, independentemente da decisão dos outros membros do agrupamento, iria avançar para o Porco.PT de forma integral com as suas explorações.

Nuno Correia: “Apoio todo e qualquer projecto colectivo”

Já o administrador da Agrupalto e Intersuínos, Nuno Correia, reservou a posição final do grupo que lidera para depois da reunião interna do mesmo.
No entanto, apoiou pessoalmente o projecto, referindo o exemplo da central de compras Socampestre que é resultado de várias sinergias entre empresas da produção suinícola e que, apesar dos obstáculos iniciais, é hoje um sucesso que beneficia fortemente os seus associados.
Referiu ainda que é necessário ganhar quota no mercado interno mas não perder de vista a exportação e que a suinicultura portuguesa tem margem para se desenvolver nestes dois eixos.

Fernando Vicente: “Não podem pagar uns e usufruírem todos”

O maior produtor individual do país, Fernando Vicente - Grupo Valinhos, afirmou que, para já, não tem todas as suas explorações preparadas para iniciar o programa, mas que entraria no “Porco.PT” com a maior parte do seu efectivo e que iria, desde já, apoiar financeiramente o projecto com o valor respectivo à totalidade do seu efectivo.

Pedro Lagoa: “A minha decisão está tomada”

Por último, o administrador da Raporal, Pedro Lagoa, reiterou a posição da empresa que representa, de entrar a 100% no projecto, reforçando que o sucesso do “Porco.PT” só é possível se todos tomarem o mesmo partido e a produção nacional fizer concorrência em bloco à produção estrangeira e não concorrer entre si.
Pedro Lagoa é também membro da comissão coordenadora do “Porco.PT” e, por isso, um dos principais impulsionadores do projecto.

Vítor Menino: “No dia 1 de Janeiro não vou castrar um único porco…nessa data já todos estarão castrados”

Para além de intervir no Plenário enquanto Presidente da FPAS, Vítor Menino esteve também na qualidade de administrador do segundo maior agrupamento do país – Aligrupo – o qual tem uma particularidade: grande parte dos seus associados já iniciou o processo produtivo que originará o “Porco.PT” há alguns meses.
Inclusivamente já foram vendidos suínos do agrupamento dentro dos parâmetros requeridos no “Porco.PT”.
A receptividade e acolhimento da indústria ao projecto tem sido a melhor possível.
Vítor Menino pôde testemunhar aos presentes que muitos dos seus receios são injustificados, uma vez que o “Porco.PT” vem criar uma ligação directa entre produtor e consumidor, ou seja, entre a oferta e a procura, relativizando o papel dos intermediários deste processo, como acontece em qualquer outro tipo de negócio.

A certificação como garantia de qualidade

Todo este processo será controlado e certificado pela CERTIS, uma empresa reconhecida pela entidade reguladora – DGADR – e com vasta experiência no controlo e certificação de produtos com rotulagem facultativa, inclusive carne de suíno.
O plano de controlo incidirá sobre todos os operadores da fileira – fábrica de rações, produtores, transportadores, matadouros, salas de desmancha e postos de venda – de forma a garantir uma rastreabilidade completa desde a recepção das matérias-primas das rações até ao momento em que o consumidor compra a carne na superfície comercial.
Este plano defenderá a integridade do caderno de especificações e será um meio para obter o fim desejado: obter a confiança do consumidor e permitir-lhe conhecer todo o processo produtivo, de abate e de transformação da carne que vai comer.
Em suma, todos os passos foram acautelados no sentido do futuro começar no dia 28 de Dezembro de 2016.

Há um ano, o Presidente da FPAS foi convidado a analisar o ano de 2015, referindo que o mesmo iria ficar na memória dos suinicultores portugueses, infelizmente pelos piores motivos. 2016 foi um ano de equilíbrio de contas. 2017 pode ser um ano pode ficar igualmente na memória dos suinicultores, mas desta vez pelos melhores motivos…saibam os suinicultores aproveitar esta oportunidade e fazer com que o futuro não seja uma repetição do passado.










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